Sobre o Plano de Salvaguarda

Matrizes Tradicionais do Forró

Objetivos e ações elaborados pela equipe de trabalho do estado do Rio de Janeiro

Sistematização feita pelo Núcleo de Patrimônio Imaterial (Cotec/Iphan-RJ), a partir do diálogo com detentores/as do estado do Rio de Janeiro Novembro de 2022

I. Descrição do processo de mobilização e do ciclo de atividades realizado

O Fórum Matrizes do Forró - RJ é um coletivo que vem se mobilizando para a Salvaguarda das Matrizes Tradicionais do Forró no estado desde antes do Registro deste Bem Cultural como Patrimônio Cultural do Brasil. Assim, no Rio de Janeiro, este coletivo foi o ponto de partida da mobilização para a elaboração de objetivos e ações a comporem o Plano de Salvaguarda das Matrizes Tradicionais do Forró. Além disso, o relatório (SEI 3757176) do Fórum ocorrido em 2018 foi a base inicial para o debate que resultou no documento aqui apresentado. No dia 21/07/2022, em reunião entre a equipe técnica de Patrimônio Imaterial do Iphan-RJ e três integrantes do Fórum - incluindo seu Coordenador -, acordou-se um cronograma preliminar para a realização do ciclo de reuniões, a serem realizadas virtualmente, tendo em vista a existência de detentores/as em diversos municípios do estado, e a falta de disponibilidade orçamentária para reuní-los presencialmente. A mobilização da comunidade detentora coube ao Fórum Matrizes do Forró (RJ), através da divulgação de cards produzidos pelo Departamento de Patrimônio Imaterial. Foram realizadas 06 (seis) reuniões, quinzenalmente, entre 09/08/2022 e 01/11/2022, seguindo as etapas sugeridas pelo Departamento de Patrimônio Imaterial, a saber: 1) Diagnóstico de políticas públicas, potenciais parceiros, iniciativas e ações de Salvaguarda já realizadas, 2) Diagnóstico do contexto atual do Bem Cultural (escuta de demandas), 3) Elaboração dos objetivos e ações , 4) Detalhamento das ações. Após cada reunião foram produzidas atas, compartilhadas no grupo de whatsapp da equipe de trabalho, e divulgadas pelo Fórum.

Matrizes do Forró RJ entre a comunidade detentora. Toda a documentação produzida ao longo do ciclo de atividades está disponível no processo 01500.001741/2022-53.

II. Equipe de trabalho

As atividades foram conduzidas pelos dois técnicos de Patrimônio Imaterial do Iphan-RJ (Letícia Ribeiro e Marcell Machado dos Santos), e contou também com a participação de Clara Marques Campos, técnica do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI), em uma das reuniões. Vinte e um (21) detentores/as, de 06 municípios do estado, compuseram a equipe de trabalho responsável pela elaboração deste documento. Destaca-se também que Joana Alves, Coordenadora Nacional do Fórum Forró de Raiz, participou de algumas das reuniões, contribuindo desse modo para o debate que resultou neste documento.

Quanto ao envolvimento de instituições parceiras, em 28/09/2022 foi enviado ofício-circular (SEI 3866965) aos seguintes potenciais parceiros: Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro; Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro - SECEC; Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - INEPAC; Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro - SMC; Secretaria Municipal de Cultura de Paraty - SEMUC; Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de São Gonçalo; Instituto Municipal de Cultura de Petrópolis; Fundação Rio das Ostras de Cultura; Secretaria Municipal de Cultura de Cabo Frio; Associação de Amigos da Literatura de Cordel - Amo Cordel; Associação Brasileira de Literatura de Cordel - ABLC. Representantes do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) participaram das reuniões desde o início do ciclo de atividades para a elaboração do Plano de Salvaguarda. Houve também a participação de representante do Laboratório de História e Jornalismo da Uerj, a convite dos detentores. Tendo em vista, porém, que somente o Inepac integrou a equipe de trabalho que elaborou este documento, em relação aos demais potenciais parceiros, que não responderam ao ofício mencionado, destaca-se que serão necessários novos esforços por parte do Iphan-RJ, no sentido de mobilizá--los para a gestão compartilhada da Salvaguarda das Matrizes Tradicionais do Forró no estado do Rio de Janeiro.

No anexo I apresentamos uma listagem com os nomes de detentores/ as e representantes institucionais que integram a equipe de trabalho.

III. Diagnóstico de normativas legais e políticas públicas

  • LEI Nº 7.553 DE 20 DE SETEMBRO DE 2022 - Dispõe sobre a criação do Programa de Salvaguarda Cultural do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas
  • Lei Aldir Blanc I e II
  • Lei Paulo Gustavo Fundo Municipal de Cultura de Paraty
  • Leis de Isenção Fiscal (ICMS)
  • Cultura Presente nas Redes / Retomada Cultural (editais mais abrangentes)
  • Lei nº 11.176, de 6 de setembro de 2005, que institui o dia 13 de dezembro como Dia Nacional do Forró.

IV. Diagnóstico de iniciativas já existentes

  • Trem do Forró
  • Semana Nordestina
  • Projetos de circulação e intercâmbio
  • Feira de São Gonçalo
  • Sanfonada Brasileira (Petrópolis)
  • Dia Nacional do Forró (13 de dezembro).
  • Dia Estadual do Forró (02 de agosto)
  • Outras datas comemorativas que fazem referência ao nascimento/falecimento de mestres ou aniversário de Feiras Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro.
  • Festivais com premiações (a exemplo de Itaúnas/ES, Festival Rootstock - Belo Horizonte, festivais de Brasília… além de festivais e eventos menores que acontecem ao longo do ano) Experiências de eventos e festivais já realizados pela Feira de São Cristóvão.
  • Criação do Instituto Cultural da Feira Parceria já existente com o SESC.
  • Forró Forrado.
  • Destaca-se que há muitas iniciativas locais nos municípios que ainda precisam ser conhecidas.

V. Diagnóstico de potenciais parceiros

  • Sesc RJ
  • Órgãos municipais ligados à cultura
  • Federações de quadrilhas juninas
  • Associações de artesãos
  • Restaurantes de comida nordestina (Gigante Nordestino - 9 casas, Encontro Nordestino - 5 casas, Seriguela - 3 casas, Chiquita - 3 casas, Cangaço, Botequim, Restaurante do Zé Paraíba - Itaboraí)
  • Cordelistas (AmoCordel)
  • Futuro Centro de Convenções de Paraty

Diagnóstico do contexto atual do Bem Cultural, objetivos, ações e possíveis parceiros (quadro-síntese)

EIXO

Mobilização Social e Alcance da Política

DIAGNÓSTICO/JUSTIFICATIVA

  • Os municípios do interior não são tão alcançados pelas políticas públicas, em comparação à capital.
  • A pesquisa para o Dossiê não ocorreu de forma aprofundada no estado do Rio de Janeiro. No Dossiê são mencionados alguns locais que não sabemos se estão funcionando, ao Reunir e organizar os artistas em todo o estado.

OBJETIVOS

  • Promover a conscientização e participação social a nível local, visando o desenvolvimento cultural.
  • Aprofundar o conhecimento sobre as Matrizes Tradicionais do Forró, mapeando os locais, bem como as necessidades específicas de cada região/localidade do estado.

AÇÃO

  • Mapeamento das Matrizes Tradicionais do Forró no Estado do Rio de Janeiro, prevendo aplicação de questionários e visitas técnicas a locais que o mapeamento apontar serem estratégicos, para reuniões de mobilização e articulação local, com participação oficial do Iphan.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • UERJ (laboratório de Jornalismo e História e/ou curso de Produção Cultural), FAPERJ, UNIRIO e UFF

EIXO

Mobilização Social e Alcance da Política

DIAGNÓSTICO/JUSTIFICATIVA

  • Passo que locais importantes, como a Feira Nordestina de São Gonçalo, não são mencionados. Afastamento entre forrozeiros tradicionais da Feira de São Cristóvão e o circuito carioca de forró.

OBJETIVOS

  • Promover a comunicação entre os detentores.

AÇÃO 1

  • Realização de eventos em espaços culturais a partir da articulação com os Poderes públicos municipal e estadual, visando o desenvolvimento cultural local.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa (SECEC), secretarias municipais de cultura ; UERJ, UNIRIO e UFF; SESC e SENAC

AÇÃO 2

  • Reuniões periódicas com os detentores.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • IPHAN, de maneira não orçamentária, ou apenas com diárias e Passagens.

AÇÃO 3

  • Publicação dos resultados do mapeamento, dentre eles o Cadastro das Matrizes Tradicionais no estado do Rio de Janeiro.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • IPHAN, universidades públicas do estado, SECEC (pelo Mapa da Cultura) e jornais comunitários (como o Folha da Costa Verde)

EIXO

Gestão participativa no processo de Salvaguarda

DIAGNÓSTICO/JUSTIFICATIVA

  • Ainda precisamos saber mais e incluir pessoas que estão em municípios mais distantes.
  • As Matrizes Tradicionais do Forró ainda não tem o apoio necessário dos Poderes Públicos.

OBJETIVOS

  • Ampliar a representatividade do coletivo da Salvaguarda.
  • Pressionar e conscientizar os políticos para a valorização do patrimônio e a sustentabilidade econômica, inclusive os Poderes Públicos estadual e municipais.
  • Ampliar a gestão compartilhada da Salvaguarda.

AÇÃO 1

  • Realização de eventos em espaços culturais a partir da articulação com os Poderes públicos municipal e estadual, visando o desenvolvimento cultural local.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa (SECEC), secretarias municipais de cultura ; UERJ, UNIRIO e UFF; SESC e SENAC

AÇÃO 2

  • Reuniões periódicas com os detentores.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • IPHAN, de maneira não orçamentária, ou apenas com diárias e Passagens.

AÇÃO 3

  • Publicação dos resultados do mapeamento, dentre eles o Cadastro das Matrizes Tradicionais no estado do Rio de Janeiro.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • IPHAN, universidades públicas do estado, SECEC (pelo Mapa da Cultura) e jornais comunitários (como o Folha da Costa Verde)

EIXO

Difusão e valorização

DIAGNÓSTICO/JUSTIFICATIVA

  • Há conhecimento sobre as Matrizes Tradicionais do Forró dentro do circuito de forrozeiros e admiradores, mas é necessário apoio de pesquisadores e dos poderes públicos para melhorar a difusão, tendo em vista que o forró que está sendo mais consumido é o “forró de plástico”.
  • Há preconceito contra a cultura nordestina. Se houvesse atuação nas escolas para difundir as matrizes do forró e a cultura nordestina, o preconceito tenderia a diminuir.
  • Os DJ’s tem importante papel na difusão das Matrizes Tradicionais do Forró.

OBJETIVOS

  • Garantir a difusão das Matrizes Tradicionais do Forró, para favorecer a diminuição do preconceito contra a cultura nordestina.
  • Ampliar a transmissão dos saberes populares relacionados às Matrizes Tradicionais do Forró em espaços não-formais de educação e cultura

AÇÃO 1

  • Oficinas de Educação Patrimonial em escolas, com foco nas Matrizes Tradicionais do Forró e na cultura nordestina.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • Secretaria Estadual de Educação (SEEDUC); secretarias municipais de educação

AÇÃO 2

  • Programa educativo articulando as matrizes tradicionais do forró a outras manifestações e expressões culturais populares, evidenciando a diversidade cultural brasileira (possivelmente através de convênios com universidades e ONGs)

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • Universidades públicas e ONGs (como a Redes da Maré e a Fundação Darcy Ribeiro); Centros Culturais (como o Centro Cultural Carioca)

AÇÃO 3

  • Criação e divulgação de conteúdos a respeito das Matrizes tradicionais do Forró, em materiais impressos.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • Ecomuseus; CCBB; Casa FrançaBrasil; Museu da República e CNFCP

AÇÃO 4

  • Elaboração de produtos audiovisuais e apoio técnico à produção de videoclipes.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • IPHAN, Universidades públicas, SESC IPHAN e CTAV.

EIXO

Produção e reprodução cultural

DIAGNÓSTICO/JUSTIFICATIVA

  • Há festivais de forró realizados por produtores com verba pública - o que é positivo, porém também seria interessante que os próprios detentores tivessem acesso a tais recursos.
  • Muitos artistas não têm material de apresentação de projetos.
  • Falta apoio para a celebração do 13 de dezembro e de outras datas marcantes para o forró tradicional, o que poderia ser um papel importante a ser desempenhado pela Salvaguarda. A data de falecimento de Zé Calixto, por exemplo, poderia ser um incentivo à salvaguarda do fole de oito baixos.
  • Os/as detentores/as ressaltaram os baixos cachês, aos quais precisam se submeter para não ficar sem trabalho. Os cachês são baixos sobretudo se considerarmos que os grupos são compostos de pelo menos três músicos que precisam dividir o valor, e também os gastos com a manutenção da sanfona, transporte, etc.
  • Alto custo para a compra e manutenção das sanfonas.
  • Em especial, nos municípios de praia a maresia prejudica a afinação do instrumento.

OBJETIVOS

  • Buscar outros caminhos de sustentabilidade econômica, como os editais.
  • Estimular que os mestres circulem, transmitindo seus saberes.
  • Valorizar novos grupos.
  • Ocupar ruas e praças.

AÇÃO 1

  • Capacitação e suporte técnico para marketing digital.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • SESC, SENAC, SEBRAE

AÇÃO 2

  • Capacitação/profissionalização sobre leis de incentivo e participação em editais.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • SECEC e secretarias municipais de cultura; SEBRAE

AÇÃO 3

  • Oficinas para a “formação continuada” dos detentores.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • IPHAN, Universidades públicas e coletivo da Salvaguarda

AÇÃO 4

  • Intercâmbio cultural entre os detentores de diversos municípios do estado, para troca de saberes e experiências, visando o reconhecimento e valorização do patrimônio.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • IPHAN, INEPAC

AÇÃO 5

  • Apoio a eventos e festivais.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • SESC, secretarias municipais de cultura, SECEC, Centros Culturais, Restaurantes de comida nordestina, Parque de Madureira, FIRJAN

AÇÃO 6

  • Apoio a celebrações em datas marcantes para o forró tradicional.

POSSÍVEIS PARCEIROS

  • Secretaria Estadual e Secretarias Municipais de Cultura, Secretaria Estadual e Secretarias Municipais de Turismo, IPHAN, INEPAC, SESC, Centro Cultural Banco do Brasil, Fundação Itaú Cultural, Caixa Cultural, Parque de Madureira, Firjan, CDURP, Canal Curta, TV Brasil.

O FORRÓ NO RIO DE JANEIRO

O COLETIVO REÚNE MÚSICOS, PESQUISADORES, COMPOSITORES, ARRANJADORES, CANTORES, PRODUTORES, INTÉRPRETES, ATORES, RADIALISTAS, DJS, DANÇARINOS, PROFESSORES DE DANÇA, POETAS, ARTESÃOS, ATIVISTAS CULTURAIS, EMPRESÁRIOS DE CASAS NOTURNAS, DE RESTAURANTES, LIVREIROS, AMANTES DO FORRÓ, FREQUENTADORES, ADMIRADORES E TODOS QUE DESEJAM A VITALIDADE DO FORRÓ

Apesar da existência dessas manifestações, não se sabe até quando esses espaços e oportunidades sobreviverão. Muitos ambientes tradicionais que se mantinham vivos até bem pouco tempo, deixaram de existir na Penha, em Bonsucesso, em Olaria, na Ilha do Governador entre outros. Eram Forrós que tinham histórias dos mestres Luiz Gonzaga, do Jackson do Pandeiro, Zito Borborema, Dominguinhos, Bezerra da Silva, Severo do Acordeon e outros.

O forró-pé-de-serra do Rio de Janeiro, independente do reconhecimento formal como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado (Lei 8.505/19) e Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade do Rio de Janeiro (Lei 1.407/22), é para os cariocas nordestinos e os cidadãos do mundo, um precioso Bem e, assim como todos os bens culturais, precisa de políticas públicas de salvaguarda que o mantenha vivo. É necessário elevá-lo ao seu verdadeiro status de cultura musical de valor agregador de pessoas, gerador de renda, de bem-estar social e reconhecer que ele tem uma forte inter-relação econômica, social e cultural com a dança, gastronomia, artesanato, o turismo e que, por isso mesmo, tem uma importância vital para a cidade do Rio de Janeiro.

Por esta razão o Coletivo Fórum Forró de Raiz do Rio de Janeiro desde a sua criação tem a pretensão de atingir todas as regiões de governo através do mapeamento cultural, para conhecer as demandas de quem produz, resguardar as matrizes tradicionais e reunir as iniciativas de salvaguarda que precisam ser implementadas para manutenção das tradições e para o bem-estar econômico e social dos grupos que promovem o nosso forró pé de serra.

Este Coletivo que reúne a classe artística da cadeia produtiva do forró (músicos, pesquisadores, compositores, arranjadores, cantores, produtores, intérpretes, atores, radialistas, DJs, dançarinos, professores de dança, poetas, artesãos, ativistas culturais, empresários de casas noturnas, de restaurantes, livreiros, amantes do forró, frequentadores e admiradores e todos aqueles que querem a preservação das matrizes tradicionais do forró), foi criado em 2017 não só para a campanha do registro no IPHAN, mas também para as discussões do tema, das suas dificuldades através das avaliações de demandas, apresentação de soluções, pretensões e ações de salvaguarda pós registro.

Desde as primeiras reuniões em 2018 os integrantes são livres para adesão (foi criado um grupo WhatsApp e uma página Facebook), para acolher opiniões, visão do forró e apoiar as iniciativas do movimento como os festivais de forró, os programas de rádio e demais eventos para união das comunidades forrozeiras. Nas reuniões realizadas nos espaços Sesc Santa Luzia (Centro RJ), foram discutidas as iniciativas, a aprovação de projetos de salvaguarda, como por exemplo, a criação do Instituto Cultural do Forró. Foram criados grupos de trabalhos para as várias ações de capacitação e eventos como o Trem do Forró, Semana da Cultura Nordestina, Seminários de Forró entre outras.

O Coletivo é uma das representações da força de trabalho da comunidade forrozeira do Rio de Janeiro, que funcionou ativamente durante a campanha para o registro do Forró no IPHAN e continua atualmente ativo por considerar que o FORUM é permanente e relevante para a salvaguarda e perenidade do bem como valor sociocultural. O Fórum Forró de Raiz do Rio de Janeiro está ligado ao Fórum Nacional de Forró de Raiz, movimento cultural fundado em 2011 com o objetivo de promover ações para o registro do Forró como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

O Fórum Nacional realizou diversos encontros e eventos em todos os Estados do Nordeste, do Sudeste e no DF para a formação das Coordenações regionais. O Fórum Nacional de Forró, que teve como ponto de partida o pedido de registro no IPHAN em 2011, após um longo período de articulações nesses encontros, finalmente conseguiu em 2021 o registro após a entrega do Dossiê de Instrução Técnica feito no período e entregue em cerimônia especial realizada na Paraíba, estado origem da solicitação. A construção do Coletivo Fórum Forró de Raiz do Rio de Janeiro, sempre foi dinâmica. Teve início oficial no final de 2017 para começo de 2018 quando a Coordenadora Nacional do Fórum de Forró(Dona Joana) startou o movimento no Rio de Janeiro e cooptou parcerias e colaboradores para se juntarem ao grande Fórum nacional. Uma dessas parcerias mantidas nas realizações dos fóruns de forró de 2018 e 2019, foi o SESC RJ, que manteve por longos períodos subsequentes iniciativas de apoio ao coletivo como as exposições do projeto O Nordeste é aqui, a abertura de espaços nas unidades para reuniões mensais do coletivo e realizações de oficinas de capacitação dos profissionais do Forró, entre outras. A audiência pública no Sesc Ginástico RJ, os seminários realizados no Sesc Tijuca RJ e no Sesc Teresópolis, a gravação dos DVDs do show manifesto no CTN Luiz Gonzaga, foram iniciativas fundamentais na construção do dossiê de Instrução Técnica, necessário ao registro do Forró no IPHAN.

seminário Fórum Forró de Raiz do RJ

O seminário Fórum Forró de Raiz do RJ realizado no final de abril 2018, promoveu o encontro de profissionais da cadeia produtiva do Forró do RJ, para os debates em 3 dias no Sesc Tijuca e foi precedido de uma Audiência pública, promovida pela mesa do Senado, que contou com a participação de autoridades do Sesc, de Senadores, de Deputados estaduais do RJ, Vereadores, representantes da Secretaria Estadual e Municipal de Cultura e representantes dos forrozeiros. Após as discussões das questões conceituais, políticas e técnicaspróprias da comunidade forrozeira o evento culminou com um grande show manifesto na Feira de São Cristóvão, antigo reduto e referência do povo nordestinono Rio de Janeiro. Os resultados imediatos colhidos através das relatorias dos Grupos de Trabalho (GT) ao final de cada mesa, foram compilados em uma publicação do Sesc que, além de ter servido de base para a Instrução Técnica do registro, foram fundamentais na implementação de ações posteriores pelo COLETIVO.

Dando continuidade ao movimento, um segundo FORUM foi realizado na cidade de Teresópolis no mês de junho 2018 para contemplar a realidade da comunidade forrozeira da Região Serrana (uma das 9 regiões de governo do Estado) prevista na iniciativa de Mapeamento de Territórios e comunidades. Os resultados imediatos colhidos através das relatorias dos Grupos de Trabalho (GT) ao final de cada mesa, também foram compilados em uma publicação do SESC, que serviu como contribuição ao Dossiê de registro e ações posteriores do Coletivo.

A Semana Ser Nordestino promovida pelo Coletivo, que ocorreu no período de 08 a 14 de outubro de 2018, teve diversas manifestações em vários pontos da cidade e, como auge comemorativo, a primeira edição do Trem do forró no dia 14/10. Esta iniciativa teve o propósito de celebrar na cidade o dia do Nordestino e ao mesmo tempo chamar a atenção da população para o registro do forró como patrimônio cultural junto ao IPHAN e desta forma promover a aproximação das pessoas às suas raízes culturais e, com a alegria própria do forró, criar o ambiente do bem-estar e o prazer de curtir uma das manifestações culturais mais ricas do nosso país.

A semana teve início no dia 08/10 com O Sarau Roda de amigos do Forró no Severyna (tradicional casa de forró do Rio de Janeiro)Rua Ipiranga, 54 – Laranjeiras – RJ.

Na terça feira dia 09/10 a festividade teve lugar no Instituto Cultural Cravo Albin (ICCA), com uma Roda de conversa “João do Vale e o forró patrimônio cultural”, participação de Márcio Pascoal (biógrafo de João do Vale), Poetas, Pesquisadores, Músicos, Produtores, Compositores. O evento contou ainda com uma exposição criada exclusivamente para o evento JOÃO DO VALE - “Memória musical nordestina” com materiais e peças do Acervo do Instituto e outras colhidas em diversos endereços do Rio de Janeiro.

Como tradição, houve a Solenidade de descerramento de placa em homenagem a JOÃO DO VALE pela passagem do seu aniversário de nascimento, concretada na parede do instituto ao lado de outros grandes homenageados como Noel Rosa, Cartola, Ary Barroso entre tantos outros grandes Mestres.

Foptoa esquerda para a direita: Ricardo Cravo Albin Jadiel Guerra Márcio Pascoal

A quarta-feira deu lugar a grande festa da primeira Edição do Prêmio João do Vale destinado a profissionais de ocupações típicas de nordestinos no Rio de Janeiro que são destaques do meio forrozeiro mas que normalmente não são reconhecidos/premiados.

Profissões e profissionais como porteiros, faxineiras, pedreiros, serventes, neste ano tiveram a festa em sua segunda edição, com o propósito de realização de pelo menos uma premiação anual com este objetivo.

O período de 11 a 13 de outubro foi concentrado em uma extensa programação específica no Museu da República do Rio de Janeiro e no Museu do Folclore do Rio de Janeiro onde o Coletivo marcou presença em parceria com os grupos de poetas Goliardos, com a Promotora de festas Carioquíssima e Administração dos Museus.

O objetivo de ocupação dos espaços do Museu foi cumprido. Na quinta feira dia 11 a Mesa redonda destacou o debate sob o tema: Nordeste: tradição e contemporaneidade e teve como mediador Aderaldo Luciano e os convidados Bráulio Tavares, Mário Chagas (diretor do museu), Professores de dança, Poetas, Cantadores e forrozeiros. Durante a Semana a sala de cinema do Museu exibiu filmes com temática nordestina na Mostra de filmes do cinema nordestino.

Na sexta feira o evento Dia “Nordestinhos” compreendeu atividades para crianças com temáticas nordestinas, serviço de barracas e lanches (Carioquíssima-Nordestina), Oficina temática nordestina com a Trupe Pequena Alegria, Construção da “Árvore da Vida” pelas crianças terminando com Shows de Trios de Forró.

Foto: Museu da república. Da direita para a esquerda, Mário Chagas (diretor do Museu da República, Bráulio Tavares (poeta, escritor, compositor), Aderaldo Luciano (Poeta, escritor e Doutor em cultura popular)

No sábado 13/10 ocorreu o Cortejo Cultural representação dos nove estados do Nordeste e destaques de personalidades nordestinas em estandartes com paradas e intervenções poéticas em vários pontos da caminhada. O Cortejo contou com a animação do Bloco de Carnaval Forrozeiro Caramuela e vários poetas do Coletivo OS Goliardos. Concentração e saída do Largo do Machado até o Museu da República. No Museu foi encenado o espetáculo REPÚBLICA DA POESIA – Homenagem ao Poeta Nordestino Ascenso Ferreira. O dia culminou com grandes shows de forró com os Trios de Forró Conterrâneos e Mará dos 8 baixos. O Forró abriu as portas do Museu e franqueou os espaços dos jardins e vias livres para se dançar, curtir e chamar a atenção para o Registro no IPHAN

TREM DO FORRÓ DO RJ

O TREM DO FORRÓ é um evento em parceria com a SUPERVIA (Concessionária dos trens do RJ) que já consta no calendário da cidade do Rio de Janeiro que começou com o tema TEM FORRÓ NO TREM. O objetivo desta iniciativa é o de manter viva a tradição cultural do forró não só para a grande população de nordestinos do Rio de Janeiro (residentes ascendentes e descendentes) como também para os amantes do forró, frequentadores e turistas que buscam a energia e a alegria desse gênero em nossa cidade.

A cidade do Rio de Janeiro tem o histórico de ter abrigado grandes mestres nordestinos do forró que daqui ganharam o mundo com sua arte. Estes mestres são reverenciados e lembrados em destaque em um TREM de atrações que chama a atenção da população. Possivelmente nos trens que os conduziram, as inspirações e os trilhos lhes trouxeram as trilhas musicais que enriquecem e eternizam a música nordestina brasileira tornando- a singular e universal até os dias de hoje.

O evento festivo do calendário da cidade busca promover a salvaguarda das matrizes do forró em suas essências de raiz e consequentemente manter o respeito à memória dos artistas que fizeram e que ainda fazem o forró de raiz destacando as suas histórias nos bairros onde viveram como nas estações de Nilópolis (Dominguinhos), Nova Iguaçu (Luiz Gonzaga, mestre Zinho, João Silva), Olinda Jackson do Pandeiro entre outros.

Tem também o propósito de chamar a atenção para a campanha de mobilização pelo registro do forró como Patrimônio da humanidade (UNESCO) e disseminar através do potencial de visibilidade da SUPERVIA o gênero musical para que a população conheça e preserve a beleza da tradição antes que seja completamente deturpada pelas influências que a mídia e os grandes grupos de empresários tentam impor com as suas dominações e denominações de mercado que nada a ver com o forró autêntico de raiz.

As homenagens nos vagões continuarão com o mesmo propósito dos anos anteriores, com a participação aberta de vários grupos de forró e quadrilhas. Do mesmo modo, o desembarque com estrutura de palco e serviços (alimentação e forró nos quatro cantos) para atender a grande massa de forrozeiros, transformando o dia e o local na capital nacional do forró!

ALGUMAS CONQUISTAS DO COLETIVO

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BORN: 26/08/1976

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